Código do Nome
Nomes antigos que estão voltando à moda: o retorno dos “nomes de vó” no Brasil

Os nomes antigos que estão voltando à moda mostram como as preferências podem atravessar gerações, desaparecer por algumas décadas e depois ganhar força novamente.
Alguns nomes passam décadas parecendo pertencer a outra geração. Depois, quase sem percebermos, começam a aparecer novamente nas maternidades, nas escolas e nos rankings de registros.
Mas como saber se um nome antigo realmente voltou à moda — e não apenas se tornou assunto em uma lista de internet?
É o caso de nomes que muita gente ainda associa às avós ou bisavós, mas que hoje voltaram a ser escolhidos para bebês.
A resposta está nos dados.
No Código do Nome, consideramos mais interessante observar três movimentos: o nome teve força em gerações anteriores, perdeu espaço durante determinado período e voltou a crescer entre os novos registros.
E os dados brasileiros mostram alguns casos muito interessantes.
O IBGE permite acompanhar a ocorrência dos nomes por períodos de nascimento, enquanto o Portal da Transparência do Registro Civil mostra as escolhas feitas nos cartórios em anos recentes. A nova base Nomes no Brasil do IBGE reúne mais de 140 mil nomes próprios e permite observar como a popularidade mudou ao longo do tempo.
Para comparar nomes atuais, usamos aqui 2025 como último ano completo, evitando misturar um ano encerrado com registros ainda parciais de 2026.
- O que significa dizer que um nome “voltou”?
- Helena: talvez o exemplo mais claro de um nome que voltou
- Cecília também atravessou gerações antes de reaparecer
- Aurora: um nome dos anos 1940 entre os favoritos atuais
- Joaquim mostra que esse movimento também acontece entre os meninos
- E Alice? Antigo, sim. Mas é exatamente um nome que “voltou”?
- Alguns nomes antigos não voltaram — pelo menos ainda
- Por que nomes antigos voltam a parecer modernos?
- Nome antigo, clássico e vintage não são exatamente a mesma coisa
- Os nomes antigos estão realmente dominando os registros?
- Como saber se o nome que você gosta está voltando?
- Quais nomes antigos estão voltando à moda no Brasil?
- Fontes
O que significa dizer que um nome “voltou”?
Nem todo nome antigo que aparece entre os mais escolhidos está, necessariamente, vivendo um retorno.
Há pelo menos três situações diferentes:
- O nome realmente voltou
Foi popular no passado, perdeu força durante algumas gerações e voltou a crescer. - O nome nunca desapareceu de verdade
Pode ser tradicional, mas permaneceu sendo utilizado durante todo o período. - O nome é antigo, mas sua grande popularização é recente
Ele existe há séculos, porém só passou a ser muito utilizado no Brasil nas últimas décadas.
Essa diferença é importante. Do contrário, acabamos chamando de “nome de vó que voltou” qualquer nome com origem antiga. E os dados contam histórias bem diferentes.
Para identificar nomes antigos que estão voltando à moda de verdade, é preciso comparar o uso histórico com os registros mais recentes.
Helena: talvez o exemplo mais claro de um nome que voltou
Helena é um caso quase perfeito para observar esse movimento. O nome já havia sido uma preferência nacional na década de 1950. Depois perdeu espaço durante várias décadas.
Em 2015, Helena aparecia apenas na 45ª posição entre os registros recentes. Em 2017 chegou à 21ª, em 2019 à 15ª e, a partir de 2020, passou a liderar entre os nomes femininos em quase todos os anos.
Em 2025, Helena foi novamente o nome mais registrado do Brasil. Ou seja, não estamos simplesmente diante de um nome antigo que permaneceu conhecido. Existe uma trajetória clara:
popularidade antiga → perda de espaço → retomada → liderança novamente. É justamente esse tipo de curva que caracteriza um retorno.
Cecília também atravessou gerações antes de reaparecer
Cecília conta uma história semelhante. Os dados históricos derivados da série do IBGE mostram maior concentração do nome na década de 1950, seguida por redução progressiva e um ponto baixo nos anos 1990. Nos anos 2000, a curva já começava a subir novamente.
Avance algumas décadas. Em 2025, Cecília ocupou a 3ª posição entre os nomes femininos mais registrados no Brasil. Maria Cecília também apareceu entre os nomes mais registrados do país.
É um bom exemplo de como a percepção muda. Para uma geração, Cecília pode lembrar tias, avós ou mulheres mais velhas. Para uma criança nascida hoje, provavelmente será apenas o nome de outras meninas da mesma idade.
Aurora: um nome dos anos 1940 entre os favoritos atuais
Aurora produz um contraste ainda mais interessante. A série histórica mostra maior concentração de pessoas chamadas Aurora entre as nascidas na década de 1940. Décadas depois, o nome reaparece com força.
Em 2025, Aurora foi o 5º nome feminino mais registrado no Brasil, de acordo com o levantamento da Arpen-Brasil. É justamente aí que a expressão “nome de vó” começa a perder o sentido.
O nome continua antigo. A geração que o carrega muda.
Joaquim mostra que esse movimento também acontece entre os meninos
O retorno não acontece apenas com nomes femininos.
Joaquim teve forte presença entre brasileiros nascidos em meados do século passado. A série histórica baseada no IBGE mostra seu auge na década de 1950, seguido por uma queda que chegou ao ponto mais baixo nos anos 1990 e começou a se reverter nos anos 2000.
Hoje ele voltou a aparecer entre escolhas de novos pais. O comportamento varia regionalmente. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Joaquim foi o 6º nome masculino mais registrado em 2025.
Esse dado também mostra algo importante: uma tendência de nomes não acontece necessariamente na mesma velocidade em todo o Brasil.
Um nome pode estar se tornando comum em determinada região enquanto ainda é pouco utilizado em outra.
E Alice? Antigo, sim. Mas é exatamente um nome que “voltou”?
Aqui está uma distinção interessante. Alice é um nome antigo e está entre os favoritos atuais: ficou na 6ª posição entre os nomes femininos mais registrados em 2025.
Mas a curva histórica é diferente da de Helena e Cecília. Os dados mostram crescimento de Alice já nos anos 1990 e um salto ainda maior nos anos 2000, período que já era o maior da série histórica disponível naquele levantamento.
Portanto, talvez seja mais correto dizer que Alice é um nome clássico em longa ascensão do que classificá-lo simplesmente como um nome que desapareceu e voltou. Essa diferença parece pequena, mas muda a qualidade da análise.
Alguns nomes antigos não voltaram — pelo menos ainda
Também existe o movimento contrário. Um nome pode ter sido muito comum entre avós e bisavós e continuar distante das escolhas atuais.
O levantamento histórico do IBGE já mostrou exemplos claros de nomes que perderam grande parte de sua utilização ao longo do século XX.
Terezinha, por exemplo, aparecia dezenas de milhares de vezes entre pessoas nascidas nos anos 1950 e caiu drasticamente entre as nascidas nos anos 2000. O mesmo aconteceu com nomes como Neusa, Benedito e Severino.
Isso é importante porque mostra que o retorno não acontece automaticamente. Ser antigo não significa estar prestes a voltar. Alguns nomes ressurgem. Outros permanecem fortemente associados a determinada geração. E alguns podem reaparecer no futuro.
Por que nomes antigos voltam a parecer modernos?
Não existe uma única explicação. As escolhas de nomes acompanham mudanças culturais, sociais e até midiáticas. A própria Arpen-Brasil observa que as preferências registradas nos cartórios refletem influências culturais, sociais e da mídia.
Existe também um fenômeno de percepção. Quando encontramos muitas pessoas de determinada idade com um nome, passamos a associá-lo àquela geração.
Com o passar do tempo, essa associação pode enfraquecer. O nome permanece igual. Por isso Helena pode ter soado como nome antigo para uma geração e hoje parecer perfeitamente contemporâneo. O mesmo processo pode acontecer com Cecília, Aurora ou Joaquim.
Nome antigo, clássico e vintage não são exatamente a mesma coisa
Esses termos costumam aparecer como sinônimos, mas vale separar.
Nome antigo é simplesmente um nome com longa história de uso.
Nome clássicotende a atravessar diferentes períodos mantendo reconhecimento e familiaridade.
Nome vintage, no uso atual, costuma descrever um nome associado a outra geração que volta a despertar interesse.
Por isso, chamar todo nome tradicional de vintage pode esconder justamente a parte mais interessante: a trajetória dele.
No Código do Nome, os dados históricos ajudam a mostrar se estamos diante de permanência, crescimento ou retorno.
Os nomes antigos estão realmente dominando os registros?
Não exatamente. Os rankings atuais mostram uma mistura.
Entre os nomes mais registrados em 2025 aparecem escolhas tradicionais como Helena, Cecília, Alice, Miguel, Arthur e Samuel, ao lado de nomes cuja expansão no Brasil é muito mais recente, como Ravi, Gael, Theo e Noah.
O IBGE também mostra que alguns desses nomes recentes tiveram crescimento muito acelerado depois de 2010. Gael e Ravi, por exemplo, apresentaram expansão expressiva nas gerações mais novas.
Portanto, não estamos simplesmente “voltando ao passado”. O que acontece é mais interessante: nomes de épocas diferentes estão convivendo na mesma geração.
Para acompanhar esses movimentos ao longo do tempo, você também pode consultar as tendências de nomes no Código do Nome.
Como saber se o nome que você gosta está voltando?
Se você encontrou um nome antigo e quer entender se ele está ressurgindo, observe:
- em qual período ele teve maior ocorrência;
- se houve queda nas décadas seguintes;
- quando a curva voltou a subir;
- como ele aparece nos registros recentes;
- se o crescimento é nacional ou mais forte em determinadas regiões;
- se outras grafias ou nomes compostos alteram a percepção de popularidade.
Um ranking isolado mostra uma fotografia. A série histórica mostra o filme.
E é justamente olhando as duas coisas juntas que conseguimos distinguir um nome que sempre foi popular de um nome que realmente está vivendo uma segunda fase.
Quer comparar outras opções? Explore os nomes disponíveis no Código do Nome.
Quais nomes antigos estão voltando à moda no Brasil?
Alguns, claramente, sim. Helena, Cecília e Aurora mostram como um nome pode atravessar gerações, perder espaço e reaparecer entre as escolhas mais frequentes de novos pais.
Os nomes antigos que estão voltando à moda mostram que a popularidade de um nome pode mudar bastante de uma geração para outra.
Mas não existe uma fila automática em que todos os nomes antigos voltarão depois de determinado número de anos. Cada nome possui sua própria trajetória. E talvez essa seja a parte mais interessante de acompanhar.
O nome que hoje parece pertencer à geração dos nossos avós pode estar justamente começando a pertencer à próxima geração.
Fontes
IBGE— Nomes no Brasil / Censo Demográfico 2022
Base oficial para frequência, distribuição e evolução dos nomes brasileiros. O levantamento abrange 203 milhões de pessoas e permite consultar nomes por período de nascimento e localização.
Portal da Transparência do Registro Civil / Arpen-Brasil
Base de registros civis utilizada para acompanhar os nomes escolhidos recentemente nos cartórios brasileiros.
Arpen-Brasil — Ranking de nomes de 2025
Dados dos registros de nascimento utilizados para comparar as escolhas atuais.
Gabih Betiollo

Gabih Betiollo é socióloga e numeróloga, com mais de 35 anos de estudos sobre comportamento, espiritualidade e numerologia. No Código do Nome, pesquisa como nomes podem ser analisados por diferentes perspectivas para ajudar famílias a escolher com mais informação e consciência.
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